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sábado, 30 de janeiro de 2010

Ainda sobre livros – quer dizer, mais ou menos… - Kindle

Ainda sobre livros – quer dizer, mais ou menos…
Postado por Zeca Camargo em 06 de agosto de 2009 às 16:13


Já há dez dias aqui nas locações de “No Limite”, devo confessar que o forte dessa região do litoral do Ceará não é sua conectividade… De onde gravamos o programa, falar no telefone é algo improvável – se bem que há relatos de pessoas que já foram surpreendidas no meio de um coqueiral com uma ligação de telemarketing… Duas colegas do alto escalão da produção me contaram rindo, outro dia, que depois de insistentes tentativas conseguiram ligar de uma praia, mas nunca ao mesmo tempo – uma só dava sinal quando a outra desligava. Mas essas são histórias que coloco no mesmo patamar que a da “mulher do assovio” – uma espécie de lenda local que descreve uma moça que sai assoviando à noite e, se você responde também com um assovio, você está condenado a escutar esse som lá dentro do seu ouvido para o resto da vida…

No local onde estamos hospedados, a situação melhora um pouco, mas não para todo, e não da mesma maneira para nós, pobres usuários. A operadora de telefone que uso, por exemplo, permite que eu apenas mande mensagens de texto e receba telefonemas – uma amiga produtora foi brindada com o serviço oposto (só faz ligações, e não recebe), depois de ter mudado para uma operadora que, segundo informações que levantou antes de vir para cá, cobria toda a área… Enfim, no meu caso, quando preciso falar com alguém, mando uma mensagem de texto dizendo “ligue agora”, como se estivesse dando um truque para não pagar o interurbano (Ainda se fala “interurbano”? Isso soa tanto como uma expressão do tempo em que, para ligar do Rio de Janeiro para São Paulo, era preciso pedir ajuda a uma telefonista e ficar esperando ao lado do telefone às vezes por horas enquanto ela tentava completar a ligação – quantas palavras cruzadas eu fiz ao lado da minha mãe num apartamento no Rio, enquanto aguardávamos para dar um oi para o meu pai em São Paulo… Mas eu divago).

No que diz respeito a conexão de internet, porém, a situação é inversa. Na pousada onde estamos, ocorrem relatos esparsos de que alguém, por alguns minutos, conseguiu acessar a internet como se estivesse num computador do Pentágono – mas como essas histórias nunca vêm acompanhadas de testemunhas, tendo a acreditar nelas menos do que na mulher do assovio… Já na nossa base de produção, porém, bem no meio da fazenda onde acontecem as gravações, a conexão é impecável – melhor que a do próprio pentágono, arrisco! Não só toda a equipe aproveita para atualizar emails e eventualmente falar com a família via Skype por lá, como também quem perdeu algum boletim de “No Limite” (desses que vão ao ar todos os dias exceto quintas e domingos, quando temos os programas com eliminação), pode acessar o nosso site e se atualizar no que está acontecendo nos acampamentos (um exercício mais comum do que você imagina, já que como tem gente trabalhando 24 horas por dia, nem todo mundo consegue estar ligado na TV na hora que esses mini-episódios vão ao ar).

Eu mesmo, durante aquele horário sonolento pós-almoço, aproveito a conexão de lá para ligar meu laptop e, prioritariamente, tentar resgatar o maior número de artigos de jornais e revistas para poder ler à noite no conforto do meu quarto – especialmente das publicações (sobretudo as estrangeiras) que estou acostumado a ler (no papel) em casa (já que assino vários delas, quando não as compro na banca de revistas), e que não chegam por aqui nem por decreto. Foi assim que então, ontem mesmo, deparei-me no site da “The New Yorker” com um texto assinado por um dos meus escritores americanos favoritos: Nicholson Baker.

Baker é um escritor apaixonado por livros – e por jornais. Uma paixão que, claro, vem do prazer que ele tem em manipular as palavras. Li seu primeiro livro em 1989, quando morava em Nova York. Chama-se “The mezzanine” – e só lamento que, apesar de ele ter vários títulos lançados no Brasil (entre eles, o polêmico e quase pornográfico “Fermata”), esse seu trabalho de estréia ainda permanece injustamente sem tradução por aqui. Lembro-me até hoje da resenha que li no suplemento dominical do “New York Times” sobre ele: um volume de cerca de 100 páginas que descrevia o trajeto de um homem subindo uma escada rolante (em direção a um mezanino), logo depois de ter comprado um cadarço no seu horário de almoço. Só isso. Mas é a subida de escada rolante mais fascinante que eu já vi (se estiver a fim de encarar um inglês, encomende já numa livraria virtual!).

Desde de “The mezzanine” então, virei fã de Nicholson Baker – e leio tudo que ele escreve. Dos livros mais fracos (”Vox”, que é ainda mais pornográfico que “Fermata”, está longe de ser algo perto de interessante), aos artigos mais inesperados – a maioria deles na “New Yorker”, como este que trouxe para o hotel no meu iBook. “Uma nova página” – anuncia o título do texto -, e trata-se claro de uma brincadeira, já que o assunto que Baker escolheu para escrever desta vez não é exatamente a palavra impressa, mas a eletrônica. Mais especificamente, ele resolveu experimentar aquele produto que quem passou pelo site da amazon.com procurando por livros (ou mesmo outros produtos) certamente já ouviu falar: o Kindle.


Se você ainda não está familiarizado com esse nome, trata-se da “revolucionária” engenhoca (sim, eu sei que ninguém mais essa expressão – “engenhoca”) lançada pela Amazon, que permite que você leia livros inteiros numa tela eletrônica. Porém, ao contrário de um computador que emite luz (e que tende a cansar a vista de quem lê por muito tempo), o Kindle usa uma tecnologia chamada “E Ink”, que permite a leitura refletindo a luz externa – mais ou menos como uma folha de papel. Os detalhes técnicos são curiosos (Baker vai fundo no artigo), mas o que eu estava mesmo interessado em saber era o que um escritor obcecado por livros achou dessa “novidade” (o primeiro modelo foi lançado em 2007, mas agora é que ele está “pegando”), alardeada como “o futuro da leitura”.

O veredicto de Baker, claro, não é muito positivo… “Isto é o que você compra quando você compra um Kindle”, escreve ele: “Você compra o direito de expor um agrupamento de palavras na frente de seus olhos para seu uso privado, com a ajuda de um aparelho eletrônico aprovado pela Amazon”. Ou seja, tudo menos um livro… Calma, eu sei que o Kindle não pode – e nem pretende – nunca nem passar por um livro. Mas será que ele pode reproduzir ou mesmo sugerir a mesma sensação de quem tem um livro nas mãos? Novamente, na opinião de Baker, isso não é possível.

Como em qualquer texto seu, o escritor descreve com elegância as características mais bizarras da máquina (lembro-me de um artigo seu sobre a mudança de projetores de cinema daqueles de filmes de celulóides para digital que era simplesmente um primor). A mais inesperada de todas, é que a “página”não é branca – assim como a letra não preta. Tudo é cinza – ou melhor, variações de cinzas claros e escuros (as imagens são reproduzidas com alguns matizes a mais). Quanto ao design do Kindle, Baker é ainda mais cruel: “uma peça de bizarrice retrô”. E não vamos nem falar da seleção de livros disponíveis para serem baixados – através de uma compra na Amazon. Numa lista rápida feita pelo próprio escritor – que vai de Italo Calvino a Nabokov (passando pela “Identidade Bourne”) -, já fiquei imaginando que eu me frustraria bastante se tivesse que escolher o que ler nesse aparelho (pelo menos até a campanha que a própria Amazon faz nas suas páginas, aquela que pede para as pessoas clicarem e dizerem para determinado editor que querem seus livros disponíveis para o Kindle, começar a funcionar).

Mas pior do que isso, pela descrição de Baker, é a ausência da sensação de ter realmente uma obra de arte – ou um objeto de estudo, ou um volume de referência, ou mesmo um passatempo ligeiro – nas suas mãos. Isso acho que eu não poderia suportar. (Ao mesmo tempo que escrevo isso, imagino alguém que num futuro não muito distante – digamos, uns 200 anos, quando os livros como conhecemos hoje já tiverem deixado de existir – leia esse meu comentário, e tantos outros nessa linha, num oceano de informação que então será disponível de maneira ridiculamente acessível, e caia na gargalhada com a inocência desse protesto…).

Eu mesmo nunca peguei num Kindle – sequer vi um de perto. Mas imagino que teria uma resistência ainda maior do que a de Nicholson Baker para me adaptar. E olha que digo isso de diante de uma situação que me obrigou a trazer pesados volumes – divididos em uma mala que despachei e outra que trouxe na mão – para uma pousada numa praia deserta! Teria sido mais fácil trazer tudo que eu queria ler num troço do tamanho de uma revista semanal? Talvez? Mas será que eu teria o mesmo prazer de escolher minha leitura seguinte consultando meu índice numa tela cinzenta do que olhando para as lombadas da pequena estante improvisada do meu quarto? Duvido…

A ironia maior é que eu li o próprio artigo da “New Yorker”não na revista tradicional, mas copiado na mesma tela do computador que escrevo agora. Mesmo assim, digo a mim mesmo que só usei esse “truque” porque estou impossibilitado de ter acesso ao exemplar original. Mas que eu preferia mil vezes ler as páginas esvoaçantes da revista (agosto, parece, é o mês que mais venta por aqui) do que nesta tela luminosa – isso eu preferi!

Nicholson Baker, porém, não dá a causa como perdida. Ele ainda joga algumas farpas nas promessas do Kindle ser a única esperança de ressuscitar os jornais de papel – a assinatura do “New York Times” nesse formato, segundo ele, vem sem boa parte do material editorial. E pinta a versão mais moderna da máquina – ele comprou o Kindle 2, mas conferiu também o Kindle DX – como algo ainda menos atraente. A salvação, no entanto, pode vir sob a forma de um iTouch (ou um iPhone): a versão do Kindle para esse aparelho é, para o autor, não só mais agradável aos olhos, como mais fácil de usar.

Nem por isso, porém, eu fiquei convencido. Depois de terminar “Solo”- livro que mencionei no último post -, vou mergulhar numa história que descobri agora por acaso numa livraria em Londres. Chama-se “Censoring an iranian love story” (literalmente, “Censurando uma história de amor iraniana”), de um autor iraniano chamado Shahriar Mandanipour. Como o próprio título indica, trata-se de uma história que tem trechos inteiros rabiscados – isso na própria edição final, como um curioso artifício de impressão. Agora me diga: que graça teria ler isso numa tela cinza?

Ou ainda – já num tom de querer abrir a discussão: que graça teria ler qualquer coisa numa tela cinza? Você se adaptaria? Trocaria toda sua estante por um fino aparelho moderno? Estou sendo muito retrógrado? Saudosista? Ou simplesmente sonhador ao insistir que os livros nunca deverão desaparecer por completo? Mande para cá sua opinião como um comentário. Sim, ele será publicado não num papel, mas numa página virtual. Mas isso talvez sirva para tornar nossa discussão ainda mais interessante.

Enquanto isso, vou me preparando para o Portal de hoje e o de domingo. Sempre, claro, com um livro embaixo do braço…

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