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sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Como não visitar as pirâmides



Postado por Zeca Camargo em 21 de janeiro de 2010 às 16:30

Chegue uma hora antes de fechar. Melhor ainda, chegue 45 minutos antes de fechar! Aceite ajuda de um “funcionário” local que garante – em inglês – que não é apenas “mais um guia”, mas que é, de fato, um empregado da burocracia local. Recuse a princípio qualquer oferta de andar de camelo ou a cavalo, mas suba assim mesmo numa charrete – ou mesmo no próprio camelo! – quando o tal “funcionário” insiste que você não vai ter tempo de visitar todas as pirâmides antes de o parque fechar.

Não negocie o preço antes – espere estar confortavelmente instalado na charrete (ou desconfortavelmente no camelo, se for o caso) para aceitar, quase que já sem opção, a pequena extorsão que o “funcionário” lhe propõe. Hesite em aceitar mais qualquer coisa desse “funcionário”, mas ao mesmo tempo reconheça que não tem mais volta – e contente-se em tomar decisões rápidas quanto ao breve itinerário, apesar de o próprio “funcionário” te dar a ilusão de que você tem livre arbítrio, ao dizer constantemente, quase como um mantra: “take your time”…

Não estranhe quando, no lugar de virar para a “alameda das pirâmides”, sua condução tomar o caminho mais curto. Evite perceber que você está indo por ali porque um guarda egípcio – um daqueles que trazem no braço a curiosa (ainda que nem sempre prestativa) insígnia de “polícia do turismo” – sinaliza com as mãos que já não há mais tempo para fazer o circuito completo mesmo sobre rodas, contradizendo, como você intuitivamente esperava, o que o “funcionário” havia dito.

Contornando então a pirâmide principal, tentando não se preocupar nem com a possibilidade de o cavalo que puxa a charrete derrapar no asfalto que seu casco liso é obrigado a encarar numa ladeira íngreme nem com o estado que sua coluna vai estar depois do sacolejo vigoroso no lombo do camelo, depare-se finalmente com a Esfinge! Não exatamente com aquele rosto enigmático, mas primeiro com seu dorso – quase mimetizado num horizonte de areia que, enfim, não tem nenhum traço urbano (já que, do outro ponto de vista, os contornos das pirâmides quase sempre se confundem com o dos prédios do Cairo).

Tente tirar algumas fotos enquanto o camelo está em movimento. Não serão, claro, registros fiéis do que você está vendo, mas, devido aos movimentos imprevisíveis do animal, pode ser até que você descubra que é um artista abstrato da câmera! Já quase de frente para a Esfinge, desça da sua condução e agradeça finalmente pela única vantagem de ter decidido visitar este que é um dos monumentos mais importantes da história da humanidade no último minuto: admirar aquela figura imponente, aquele esboço de um rosto que o tempo e o vento ruiu, quase que sozinho, uma vez que a grande massa de turistas já foi embora para fazer suas compras de souvenires…

Não se distraia com um ou outro comentário insistente de um visitante remanescente. E, num esforço de concentração, esqueça os apelos finais de outros “funcionários” para visitar um ateliê “original” de papiro egípcio (seja lá o que for isso!). Pare. Respire. Jogue fora toda a ironia que você foi registrando – como eu agora – nesse passeio desastrado e – agora, falando sério! – olhe para esse “colosso de pedra”. E se emocione.

Sim, como vários de vocês acertaram, eu estava no Cairo, no Egito. No post anterior, para mudar um pouco as regras do “desafio Onde Estou”, decidi não mostrar nenhuma foto, mas escrever um texto com minhas primeiras impressões dessa cidade que eu não conhecia e aonde estava chegando para trabalhar. Teve gente, como a Thais, que deu “nome e sobrenome” – falou o nome da cidade, e ainda disse que os monumentos aos quais me referi eram as pirâmides, e o rio, o Nilo. A Sheila me encheu de vaidade quando comparou – injustamente, reconheço (mas obrigado pela intenção!) – meu duvidoso esforço literário ao “Céu que nos protege”, de Bertolucci (na verdade, ao cenário descrito originalmente no livro de Paul Bowles, que inspirou o filme). A Adriana acertou – para minha surpresa – porque já tinha ficado no mesmo hotel que eu, em Dreamland – que oficialmente nem fica no Cairo, mas numa “cidade satélite” para onde essa desordenada mancha urbana está crescendo. Várias pessoas “chegaram perto”, mencionando Istambul, na Turquia. Para escapar do senso comum, o Lucas arriscou que eu estava em Taiwan; a Rosiley Vaz foi ainda mais radical e chutou Letônia! E num dos comentários mais bem-humorados, “Pateta” pegou trechos do que escrevi e os adaptou a São Paulo!

Como parte dessa nova série de reportagens que estou fazendo, sobre mega cidades, estive então no Cairo – agora, na verdade, escrevo de uma outra escala, onde cheguei ontem, tarde da noite (e já fui presentear meus olhos com a linda silhueta das torres iluminadas da parte antiga dessa capital num passeio que desafiava a temperatura próxima do zero grau!), e sobre a qual pretendo comentar no próximo post. Enfim, estava no Cairo – uma cidade que fiz dezenas de planos para conhecer, todos até hoje frustrados. Ora por tempo, ora por trabalho, ora por desacerto de datas com amigos – cada vez que me animava para conhecer o Egito, alguma coisa desandava (e você que me acompanha aqui há algum tempo vai reconhecer a ironia de alguém que, como eu, se dedica tanto a viajar pelo mundo, ter levado tanto tempo para chegar nessa que é uma das referências mais fortes do turismo internacional).

A grande ironia é que, quando finalmente tive a oportunidade de chegar aqui… não estava passeando, mas (c0mo se diz em Portugal), “a trabalhar”… O fato de eu ter visitado (junto com minha equipe) as pirâmides de maneira tão corrida – a descrição acima é fidedigna! – deve-se justamente ao fato de eu não estar lá para isso. Nossa reportagem – como você terá a oportunidade de ver em breve – tem mais a ver com aspectos urbanos e modernos dos lugares que vistamos, do que com seu passado glorioso. Esse “pulinho” que demos até o sítio arqueológico foi para aproveitar uma brecha de uma gravação que acabou mais cedo. Já imaginou se eu não tivesse tido nem esse tempinho para ir até lá, que frustração teria sentido?

Passar, nem que fosse na correria, pelas pirâmides, deu mesmo um outro sentido a esta viagem. Não fosse por isso, talvez a impressão mais forte que eu teria levado do Cairo era a de que aquele é simplesmente um dos lugares mais caóticos do mundo! Ou não…

O caos é, sem dúvida, um dos componentes mais fortes do “mix” que faz essa cidade tão fascinante. Mas, no meio de suas ruas e avenidas perenemente engarrafadas – a não ser por uma ou outra via expressa que transforma qualquer pedestre que queira atravessá-la um esportista radical (a “noção” de faixa ainda é uma coisa muito vaga por lá) –, entre as hordas humanas de habitantes locais, mercadores, turistas, mulheres atarefadas (quase sempre acompanhadas de crianças cheias de arrelia) e homens desocupados, existe uma cidade muito interessante sim. Não exatamente pelo seu presente, mas pelo passado recente – e nem tão recente assim – que ela evoca.

Mais do que eu já podia esperar depois de ter lido o fascinante “Edifício Yacubian”, do escritor egípcio Alaa al Aswany (Companhia das Letras), ou o ainda mais interessante “Karnak Café” (que li em inglês), de Naguib Mahfouz (prêmio Nobel de literatura, diga-se), Cairo é – abusando da imagem da própria Esfinge que ela abriga (se bem que, tecnicamente, como aprendi, nem ela nem as pirâmides ficam na capital, mas em Giza, que é um outro distrito) – um enigma. E que, como um bom desafio proposto pela criatura mitológica, pede insistentemente para ser decifrado…

Para fazer as entrevistas, cruzamos a cidade dezenas de vezes – e tenha em mente que tal exercício, com o trânsito local, requer boa dose de paciência… E que prazer que era, de vez em quando, descobrir a ponta das pirâmides por trás dos prédios. Que delícia que era perceber, de vez em quando, no meio de uma conversa casual no árabe com sotaque local – que sempre dá a impressão, pelo menos para este forasteiro, de que qualquer dialogo é uma briga acirrada –, a poesia de um som que parece tão estranho a nossos sensíveis ouvidos orientais. Que coisa boa que era desviar, de vez em quando, minha atenção para a música ininterrupta do rádio da nossa van, e ser embalado por um pop que nos oferece outros sabores…

Por falar em sinestesia, mais de uma vez ficamos tão encantados com a comida, que era como se pudéssemos ouvir os sabores de pratos que chegavam até nossa mesa. “Tahinis”, “babaganushes”, charutinhos de folha de uva, kebabs, “molokheyas”, “feitahs”, “koftas”, “falafels” – e tantas outras coisas que vinham tentar nosso apetite mais que saciado. E, sobretudo, que experiência maravilhosa que foi nos despedir da cidade tomando alguma coisa no Fishawy – um café das antigas, encravado no meio do mercado de Cairo antigo, Kahn al-Khalili, que por falta de opção melhor, vou descrever (e, quero acreditar, de maneira elogiosa) como um muquifo!

Nessa passagem rápida – o que são, afinal, apenas cinco dias numa cidade tão frenética como essa? –, fomos do sublime (o pôr-do-sol do parque Al-Azhar, por exemplo) ao mais sórdido (como a comunidade de catadores de lixo que visitamos). Mas o balanço é mais que positivo – e eu não posso deixar de admitir que, mesmo com todas as dificuldades que enfrentamos (e que ainda vou dividir com você em posts futuros, e mesmo nas reportagens quando elas forem exibidas), o balanço é sim bem positivo. E me fez ter vontade de voltar ao Egito – não apenas para conhecer o resto dos tesouros espalhados pelo país (além da fascinante Alexandria, local de origem do nosso adorável guia Haisam, que fazia um lobby constante para que um dia fôssemos para lá!), mas para ser ainda mais seduzido pelos mistérios de um Cairo que, acredito, nunca imaginou que um dia seria essa mega cidade…

Em tempo, escrevo este texto, como já mencionei, de uma outra escala, do modesto quarto de um dos mais charmosos hotéis onde já me hospedei na minha vida, olhando para uma vista, digamos, “aquática” (não quero entregar muito onde estou…), que é de tirar qualquer um do sério, pensando em tirar um “sabático”, quem sabe um dia, por aqui. Já pensou? Um ano olhando essa paisagem? Mas eu divago…

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