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sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

De fato, eu estava sim “pra lá de Marrakesh”



Postado por Zeca Camargo em 07 de janeiro de 2010 às 15:39

Eu tentei. Eu tinha planejado fazer hoje um “estudo comparativo” que eu achei interessante: queria falar de “Avatar” e de “O fantástico Sr. Raposo” num mesmo texto. Achei que seria interessante comparar dois filmes que usam técnicas totalmente diferentes de animação – o primeiro, claro, com recursos tão modernos que tiveram de ser inventados especialmente para dar vida ao novo trabalho de James Cameron; e o segundo lança mão daquela que é simplesmente a técnica mais antiga de animação que o cinema já viu, o “stop motion”, que, para você ter uma ideia foi utilizada pelo primeiro “King Kong” (1933)!

Mas quem disse que eu consegui assistir ao “Sr. Raposo”? Na passagem de ano, quando uma amiga me contou entusiasmada que tinha visto o filme num pequeno cinema no Rio, fiquei todo animado. Depois do feriado, porém, de volta a São Paulo, para minha surpresa descobri que nenhuma sala da cidade estava mais com o filme em cartaz! Isso mesmo, São Paulo, sede de um dos maiores festivais de cinema do mundo, e com uma população tão cinéfila que qualquer assunto de cinema é sempre a prioridade dos cadernos de cultura dos jornais – e, como ex-editor de um deles, posso testemunhar isso em primeira pessoa… – não estava exibindo “Sr. Raposo” meras três semanas depois de sua estréia. Tudo bem que andei (e ando) meio desconectado das coisas – por falta de desculpa melhor, atribuo isso à loucura de fim de ano… Mas como um lançamento como esse passou assim tão despercebido? E olha que esse era mesmo um filme que eu estava esperando para ver! No Rio – a outra cidade por onde circulo no meu cotidiano – encontrei o “Sr. Raposo” quase numa toca: passando em apenas um cinema da zona sul, num único horário – proibitivo para quem tem alguma atividade profissional…

Fato é que eu não consegui assistir ao filme – e acho que agora vou ter de esperar seu lançamento em DVD para fazer o tal do “estudo comparativo”. Você, que aguarda uma opinião minha sobre “Avatar” – e, quem sabe, sobre “Sr. Raposo”-, torça junto comigo para essa “novidade” não demorar para chegar às nossas prateleiras! E enquanto isso, para passar o tempo, que tal dar uma chegada à Marrakesh?

Em primeiro lugar, parabéns aos que acertaram onde eu estava! Confesso que não esperava que ninguém desse a resposta certa para a pergunta que fiz no post anterior . Afinal, a foto era quase genérica. Tinha, sim, uma leve sugestão de arquitetura “mourisca” ao fundo, mas aquele azul da casa (que se misturava com a de uma das minhas jaquetas favoritas – e mais a aba do meu chapéu, que havia comprado por lá!) deveria servir para confundir quem estudasse a imagem. O jardim também mandava mensagens dúbias: havia palmeiras, é verdade – mas e os cactos? Não estava um sol de rachar – outra boa despistada – e o lugar (que é ponto de visitação turística) foi flagrado num momento quase vazio. Mesmo assim… Bingo! Teve gente que acertou de cara. Como é possível?

Poderia bem gastar mais alguns parágrafos aqui especulando sobre isso – desde que algumas pessoas acertaram o lugar de uma foto que tirei em breves férias em novembro de 2007 essa questão me fascina… Mas vamos logo admitir que a resposta certa é: Jardins Majorelle, em Marrakesh, Marrocos – um dos lugares mais inesperadamente bonitos que já visitei em todas minhas andanças.

Por que “inesperado”? Bem, já visitei muitos lugares maravilhosos nesse mundo afora – afinal, são 92 países (e a lista vai crescer já, já). Mas em boa parte deles eu já antecipava a beleza que por lá encontraria. Os templos de Angkor, no Camboja? Claro que seriam maravilhosos! O parque Güell, em Barcelona? Lindíssimo – mas quem já não sabia disso? O mercado flutuante em Bangcoc… outra beleza anunciada! E não vamos nem falar em Capela Sistina… Mesmo em Marrakesh, eu já havia criado uma grande expectativa para ver suas atrações – sobretudo as curiosidades da antiga Medina. E os próprios jardins da foto são citados em todos os guias da cidade. Porém, fui até lá mais como uma atividade protocolar – e quando cheguei fiquei encantado!

Para dar um breve resumo do que é o lugar, trata-se da residência de um pintor francês, Jacques Majorelle, que no início do século passado instalou-se em Marrakesh e foi aos poucos construindo seu jardim – aberto para o público em 1947. Majorelle morreu no início dos anos 60 e em 1980 o estilista Yves Saint Laurent – junto com seu parceiro Pierre Bergé – compraram a propriedade e passaram a cuidar dos jardins (morto em 2008, Saint Laurent é lembrado num pequeno memorial escondido num discreto canto). Não diria que foi o ponto alto da viagem – mas foi certamente o mais encantador. E olha que estou falando de Marrakesh…

Já tinha visitado o Marrocos anteriormente, há quase dez anos, quando conheci Casablanca, Fez e Tangier. Meio que “de propósito”, deixei Marrakesh para uma outra ocasião: não queria desfrutar de um lugar tão cheio de história com pressa – e aquela viagem foi meio corrida. Assim, esperei a oportunidade, e ela veio nesse último Natal: tive enfim uma semana para explorar a cidade e sua região (para justificar o título do post de hoje, eu fui sim “pra lá de Marrakesh”, até Essaouira – mas deixa isso para uma outra hora). Que maravilha…

Foi uma viagem de paisagens e de passeios – mas foi, pelo menos para mim, um itinerário de sons, cheiros e de sabores. Como era Natal – e ainda por cima, aniversário da minha mãe, que viajava comigo – eu me lembro mais dos banquetes do que de qualquer outra coisa. E “banquetes”, no caso, não é uma figura de linguagem: era uma comilança mesmo, no almoço e no jantar. A comida não parava de chegar na mesa – e a brincadeira que fazíamos era que quando você já estava quase deitando nos sofás (sempre providencialmente espalhados pelas salas) de tanto ter comido, aí chegava o prato principal: cuscuz de carneiro! E não eram “pedacinhos de carneiro”, mas uma peça inteira da iguaria – algo que eu só havia visto no desenho animado dos “Flintstones”!

Comíamos então muito bem – bebíamos melhor ainda (fiquei surpreso com a qualidade do vinho marroquino). E depois dançávamos! Uma das pessoas do grupo que viajava comigo é uma das minhas melhores amigas – desde o tempo em que eu encarava, entre outras coisas, uma boa “dança do ventre”… (Aos desavisados, o registro desse meu “passado” – que ainda choca muita gente – é um dos meus vídeos mais acessados no youtube, com mais de 120 mil acessos até agora, perdendo apenas para um momento meu gaguejando durante uma apresentação ao vivo, que já está quase em 800 mil! E se você é da turma que ainda se choca com isso, te convido a ler meu post sobre o assunto, aqui mesmo neste espaço.

Enfim, essa minha amiga, Betty – que até hoje é bailarina e professora -, depois de encantar os próprios marroquinos presentes (sempre surpresos pelo fato de uma brasileira fazer tão bem o que eles acham que é só privilégio deles…) sempre me puxava para a roda de dança – e animação ia noite adentro! Só não fomos páreo para a apresentação que vimos na noite de 25 de dezembro, num lugar mais turístico, onde fomos comemorar o aniversário (mais um!) da filha de uma outra amiga minha que estava no grupo – e que é (a filha) a autora da foto que abre este post. Estávamos todos à mesa, quando a música subiu de volume anunciando o número da noite: uma bailarina de dança do ventre entrando carregada numa bandeja… por quatro “papais noéis”! Isso que eu chamo de cruzamento de culturas – lembrando, claro, que o Marrocos é um país de maioria muçulmana…

Mas fico eu aqui relatando pequenas vinhetas da viagem – poderia juntar mais algumas, envolvendo nosso guia sensacional, o Mustafá, ou as intermináveis negociações de pechincha nas lojinhas do “souk” (o mercado) – e daqui a pouco já estou com um texto longo (se já não o é) e não falei de coisas mais fundamentais como a essência dessa viagem… A ela então?

Fora todo o divertimento que tive com família e amigos, vivi uma experiência diferente nessa viagem. Estou prestes a embarcar numa outra grande aventura, parte de uma série especial para o “Fantástico” – mais alguns países para aquela lista que citei acima, com certeza… E eu pensava muito nessa viagem quando estava em Marrakesh. Eu pensava em todas as viagens. Era minha segunda vez no Marrocos – e quantas pessoas nessa vida têm o privilégio de visitar mais de uma vez um lugar como esse? E isso não me saía da cabeça.

Ficava excitado com as coisas que via – e ao mesmo tempo me perguntava se era a mesma excitação que experimentava antes quando chegava a lugares que não conhecia… A vivência da última volta ao mundo – aquela que fiz por alguns dos mais belos Patrimônios da Humanidade, em 2008 – ainda estava muito presente em mim. Ter conhecido lugares como o Timbuktu e as planícies da Mongólia me fizeram questionar desde então essa minha necessidade – que não sei bem de onde vem – de estar sempre em movimento. Qual o fim disso tudo? Qual o limite que eu quero chegar?

Quem me conhece um pouco (pessoalmente ou por entrevistas, onde sempre falo isso) sabe que desde que juntei meu primeiro salário, coloquei uma mochila nas costas e fui viajar. O mundo sempre me parece infinito, mas agora, quando posso falar que já conheço quase metade dos países do nosso planeta, eu já começo a desconfiar dessa palavra – do infinito. Até bem pouco tempo achava que era isso que eu podia esperar da vida: que tudo fosse infinito. Das minhas emoções à minha curiosidade, tudo seria infinito. O mundo e as pessoas me convenciam disso a todo instante.

E, de repente, não mais…

Foi Marrakesh? Foram todas as viagens? Foram as pessoas? É meu aniversário (este ano faço 47!)? Será que estou cansado?

Onde foi parar meu infinito?

Acho que fui ver se estava em Marrakesh, sim. E não estava. Visitei um lugar lindo – e resisti em ver sua beleza. Sei que falando assim parece que não aproveitei nada – mas não se deixe enganar… Está é uma linha de pensamento tortuosa, e se você me acompanhar só mais um pouquinho vai me entender.

Não, essa não foi uma viagem em vão. Pelo contrário: por ter me provocado exatamente todos esses questionamentos, ela talvez tenha sido uma das mais preciosas que fiz na minha vida. E a ironia – justamente para mim, que tanto me gabo de andar sozinho pelo mundo – foi descobrir no encantamento das pessoas que me acompanhavam um novo prazer em viajar. Eu estava (talvez ainda esteja) atravessando um momento mais reflexivo – e por pouco não me deixei embarcar nessa “outra viagem”. Quem me resgatou foram justamente os amigos e a família. E essa foi a grande revelação que tive em Marrakesh – uma epifania, se preferir.

Novamente me animei para correr atrás do infinito, talvez não com a energia que eu tinha na minha juventude, mas com uma, digamos, serenidade inquieta! Uma esperança da qual já havia ouvido falar. Onde mesmo? No clássico de Woody Allen, “Crimes e pecados” – claro! Custei para ter um tempo para me dedicar a isso desde que cheguei do Marrocos, mas assim que tive uma brecha, lá estava eu mais uma vez assistindo ao final do filme, em que o filósofo Professor Levy – objeto de um documentário que Cliff (o personagem do próprio Woody Allen) estava fazendo e que acabara de se suicidar – deixava a seguinte mensagem antes de partir (na minha tradução livre):

“Somos sempre confrontados nas nossas vidas com decisões agonizantes, morais. Algumas em grande escala; a maioria dessas escolhas, no entanto, é sobre coisas pequenas. Mas nós nos definimos conforme as escolhas que fizemos. Nós somos, na verdade, a soma de nossas escolhas. Acontecimentos se desdobram de maneira tão imprevisível, tão injusta. A felicidade humana parece não ter sido incluída no desenho da criação. Somos tão somente nós, com nossa capacidade de amar, que damos sentido ao universo indiferente. E, mesmo assim, a maioria dos seres humanos parece ter a habilidade de continuar tentando, chegando até mesmo a encontrar alegria, em coisas simples como suas famílias, no trabalho, e na esperança de que gerações futuras possam compreender um pouco mais.”

E eu tive de ir pra lá de Marrakesh para pensar nisso tudo…

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