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sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Em defesa dos ‘almodóvares’ menores

Em defesa dos ‘almodóvares’ menores
Postado por Zeca Camargo em 11 de dezembro de 2009 às 00:58


Pedro Almodóvar não faz filmes ruins. Ele apenas faz filmes dos quais eu gosto mais ou menos. “Abraços partidos”, recém-lançado aqui no Brasil, é dos que eu gosto menos – mas não é, como já deixei claro logo do início, um filme ruim. Porque, insisto, gênios não fazem filmes ruins. E, mesmo quando eles fazem um filme que você não adora, no mínimo ele é um trabalho interessante, que te obriga a rever em perspectiva toda a obra de um diretor e, nesse exercício, lembrar-se novamente de quanto ele é genial. Por isso, mesmo não tendo saído extasiado de “Abraços partidos”, estive longe de achar que havia perdido meu tempo com suas quase duas horas. Se esse não foi um daqueles filmes transformadores, ele foi ao menos uma boa provocação. Já são 20 anos que eu aceito essas provocações de Almodóvar – e eu não posso reclamar…

O diretor espanhol, claro, faz filmes há muito mais tempo do que isso. Mas foi em 1989, quando eu morava em Nova York, que assisti a um trabalho seu pela primeira vez – e esse primeiro contato foi, como os bons de cálculos de memória já deduziram, com “Mulheres a beira de um ataque de nervos”. Na época, eu não tinha uma forte referência do diretor – um nome ligeiramente familiar de concorridos festivais de cinema em São Paulo nos anos 80, mas não mais que isso. Com uma rotina deveras atarefada que eu enfrentava em Nova York – como correspondente do jornal “Folha de S.Paulo” – tinha de escolher muito bem o que iria fazer nas minhas horas vagas. E embora me lembre que esse filme tinha um “buzz” (isto é , fazia um certo barulho na imprensa), não me lembro se ele estava na minha lista de prioridades.

Foi por insistência de um amigo meu que então passava pela cidade – o saudoso “marchand” Paulo Figueiredo, com quem eu havia trabalhado em meados dos anos 80, e que considero até hoje um dos meus mestres – que numa gelada tarde de domingo fui a uma sala em frente ao Lincoln Center para assistir “Mulheres”.

O choque veio antes mesmo de o filme começar. Lembra dos créditos iniciais? Pois bem, a combinação entre aquelas imagens femininas tiradas (provavelmente) de revistas dos anos 50 e uma música cujo primeiro verso era “Soy infeliz” provou ser fatal: já estava rindo solto – e Rossi de Palma não havia ainda nem entrado em cena… O que veio depois dessa abertura, como todos os fãs (e mesmo muitos não-fãs) de Almodóvar sabem bem, é uma das tramas (e também uma das coleções de atuações) mais enlouquecidas que o cinema já ofereceu. O adjetivo “delirante” parecia não bastar para descrever o que eu estava vendo na tela. Aquelas mulheres estavam, sim, beirando o ataque de nervos – aliás, muitas delas já estavam bem além desse estágio logo quando o filme começa. Mas o charme desse trabalho que fez Almodóvar ser conhecido no mundo inteiro era não apenas os curiosos retratos que ele apresentava, mas também uma trama que era ao mesmo tempo enlouquecida e muito verossímil – mesmo que você não tivesse crescido no meio de uma cultura tão peculiar quanto a espanhola, tenho certeza de que você conhece pelo menos uma pessoa com um pouco da loucura daqueles personagens…

Colchões pegando fogo, “gazpachos” envenenados, sub-tramas terroristas, táxis com bancos forrados de pele de onça, olhos enfeitados com o dobro (ou o triplo!) de rímel necessário – e mais aquele rosto impossível de Rossi de Palma. O que era tudo aquilo? Ou melhor, o que era tudo aquilo junto – mais um roteiro hilário e uma direção vigorosa? Almodóvar, como dizia o robô daquele antigo seriado de TV chamado “Perdidos no espaço”, não tinha registro. E mesmo assim foi imediatamente catapultado para a categoria dos diretores capazes de criar expectativa quanto a seus próximo trabalho. Aliás, não só as pessoas passaram a esperar coisas novas – e surpreendentes – de Almodóvar, como os mais obsessivos (eu, por exemplo) saíram garimpando em busca de seus filmes mais antigos. Lembrando que na época uma distribuição razoável de um filme era em VHS – e não é que a oferta de títulos “de arte” era grande e acessível –, não foi sem uma certa dificuldade que fui tendo (bem aos poucos) acesso a esse acervo.

Que é, diga-se, irregular. Desses trabalhos anteriores a “Mulheres”, os que mais gosto são “Matador” (que já indicava que o drama era tão importante quanto a comédia para o diretor) e “O que eu fiz para merecer isso” – sobretudo para os fãs de Carmem Maura! Os outros filmes, posso garantir, são bons exercícios de anarquia cinematográfica e provocação. (Freiras e sexo? Por que não?). Mas fica claro que tudo isso significava um período de gestação para Almodóvar, até que ele pudesse oferecer ao mundo coisas como “Mulheres” e outras histórias sensacionais que vieram depois – ou ainda, não exatamente depois desse filme, uma vez que “Ata-me” e “Kika” estão, como defini acima, entre seus filmes que eu gosto menos.

Já posso imaginar os admiradores mais ardorosos do diretor torcendo a cara para mim por este último comentário… Talvez fosse a expectativa de ver algo tão sensacional quanto “Mulheres” – mais o fato de Almodóvar ter levantado o patamar tão alto. Mas, pensando racionalmente, nenhum desses dois filmes – que têm inúmeros méritos – pode competir com “Mulheres”. E foi só mais adiante, ironicamente bem quando o diretor começou a mostrar seu lado mais dramático, que ele começou a ficar de novo tão interessante.

Falar de cada um desses filmes requereria bem mais espaço do que este que eu já excedo por aqui… Mesmo uma escolha de flashes é cruel… Javier Barden jogando basquete de cadeira de rodas em “Carne trêmula”? A “dobradinha” Letal/Hugo, de Miguel Bosé, em “De salto alto”? A cena final de “A flor do meu segredo”? A abertura de “Volver” no cemitério? Percebe como esse jogo é mesquinho? Nesse conjunto da obra – e que obra! – mesmo que você não tenha se emocionado até as lágrimas (ou rido até explodir) de um desses filmes, alguma coisa deles certamente ficou contigo. E esse é meu principal argumento de defesa em favor dos “almodóvares” menores. Em particular gostaria de defender um que, pela sua complexidade de narrativa foi, em algumas críticas que li, comparado a “ Abraços partidos” como um “trabalho menor” (atenção para as aspas): “A má educação”.

Este é, para mim, um dos mais complexos e ousados trabalhos de Almodóvar – e também um dos meus favoritos. E, de fato, assim como em “Abraços partidos”, nele você tem a sensação de que o diretor queria contar tantas histórias ao mesmo tempo – e uma surpreendendo mais que a outra – que o resultado final acaba sendo, no mínimo, confuso (quando não frustrante). “Má educação”, porém, é mais do que uma sofisticada bagunça narrativa. No labirinto da sua trama, Almodóvar acabou oferecendo sua mais surpreendente história de desejo reprimido. Se não conseguiu emocionar o suficiente com sua revelação final – nem divertir o suficiente com Gael Garcia Bernal vestido de mulher –, nem por isso ele deixou de oferecer um trabalho sensível e poderoso.

Na mesma linha, “Abraços partidos” te desafia a envolver-se com ele. Primeiro porque parece uma eternidade até que Penélope Cruz apareça em cena! (Cheguei a olhar no relógio para conferir quanto tempo já havia passado sem que ela desse a graça…). Depois porque não fica claro de início que histórias devemos seguir – isso, sei bem, é uma marca de Almodóvar, mas mesmo assim… Ainda, tive problemas com o elenco que ele escolheu desta vez – geralmente este é um ponto forte do diretor, mas que não me pareceu ter funcionado com a mesma química dos filmes anteriores. Nem por isso, como deixei claro anteriormente, achei que perdi meu tempo – sequer me aborreci.

Em passagens deliciosas que fazem referências explícitas a “Mulheres” (há um filme dentro de um filme, já que o personagem principal é um diretor de cinema – e Almodóvar nem tenta esconder que a produção que ele dirige estrelando a personagem de Penélope Cruz, e que se chama “Chicas y maletas”, é um pastiche desse seu trabalho de 20 anos… o que pode até insinuar uma auto-celebração… mas eu divago…) – enfim, nessas referências explícitas, os fãs têm tudo para se deleitar. E também nas referências a outros clássicos do cinema – de outros diretores, claro –, tantas que eu nem me sinto competente o suficiente para assinalar todas. E há personagens surreais – como a “tradutora” de leitura labial, que o marido rico de Penélope Cruz contrata para saber o que ela conversa tanto com o diretor quando não está filmando uma cena – que vão satisfazer os mais exigentes seguidores de Almodóvar. Contudo, “Abraços” não pode nem pleitear um lugarzinho ao lado de obras irretocáveis como “Tudo sobre minha mãe” e “Fale com ela”.

Se este blog existisse na época em que esses filmes foram lançados eu teria tido uma oportunidade e tanto de discorrer largamente sobre esses dois filmes – que (tenho certeza que você vai concordar comigo) estão não apenas entre os melhores do diretor, mas entre os melhores da história do cinema! Agora, porém, já avançando no espaço – e na sua paciência – me sinto ligeiramente inibido de falar sobre eles com a devida reverência. Cada um deles é tão complexo, tão múltiplo e tão genial que qualquer comentário breve pode parecer leviano.

No entanto, não posso deixar de registrar aqui que é a cena final de “Fale com ela” que me deu a chave para entender melhor não só toda a obra de Almodóvar como a própria natureza humana! Exagero? Nem pensar. Vi este filme antes de ele estrear no Brasil, numa passagem por Londres. Os ingleses, claro, ainda mais os londrinos, não são exatamente famosos por demonstrar suas emoções. No final da sessão que eu estava, no entanto, depois que ouvi Geraldine Chaplin dizer sua frase final, tive um acesso de choro que me faz fechar o peito até hoje. Com os créditos passando na tela e as luzes da sala já se acendendo, uma mulher sentada ao meu lado – que também chorava copiosamente – tocou no meu ombro e me perguntou se estava tudo bem comigo. Isso mesmo! Em Londres, vi Almodóvar provocar esse inesperado contato humano ao final de “Fale com ela”.

Não estava tudo bem, é claro. E o filme, como um bom trabalho deve ser, provocou toda aquela catarse. Se não tive a mesma felicidade de encontrá-la em outros trabalhos do diretor (certamente não em “Abraços”), não importa. No desfecho de “Fale com ela”, Almodóvar deu o único recado que realmente importa nessa vida. Que frase era essa que Geraldine Chaplin falava no final?

“Nada é simples”.

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