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terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Fernanda Botelho (1926-2007)


Escritora portuguesa natural do Porto. Depois de ter completado o curso de Filologia Clássica nas Universidades de Coimbra e Lisboa, veio para a capital para dirigir o departamento de turismo da Bélgica.

Colaborou em revistas como Graal, Europa ou Távola Redonda, iniciou-se na poesia com As Coordenadas Líricas (1951). Em 1960 o seu romance A Gata e a Fábula .

A sua obra de ficção caracteriza-se pela análise, ao mesmo tempo sarcástica e delicada, da trama de relações presentes numa realidade assente no antagonismo entre o quotidiano banal e a inquietação existencial.

Publicou, além das obras citadas, o volume de novelas O Enigma das Sete Alíneas (1956) os romances O Ângulo Raso (1957), Calendário Privado (1958), Xerazade e os Outros (1964), Terra sem Música (1969), Lourenço é Nome de Jogral (1971, Prémio Nacional de Novelística), Esta Noite Sonhei com Brueghel (1987, Prémio da Crítica), Festa em Casa de Flores (1990, Prémio Eça de Queirós), Dramaticamente Vestida de Negro (1994) e As Contadoras de Histórias (1998, Prémio de Ficção da Associação Portuguesa de Escritores)


Fez bastantes traduções, de que se salienta O Inferno, de Dante, que lhe valeu uma medalha da Direcção Geral das Relações Culturais de Itália.

Recebeu, entre outros, o Prémio Camilo Castelo Branco, da Sociedade Portuguesa de Escritores, 1960; Prémio da Crítica da Associação Portuguesa de Críticos Literários, 1987; Prémio Municipal Eça de Queiroz, da Câmara Municipal de Lisboa, 1990; Prémio P.E.N. Clube Português de Ficção, 1994; e o Grande Prémio de Romance e Novela APE/IPLB, 1998.
MIOPIA

Sempre que vejo
o que os meus olhos não queriam
ver
(mas que sabem ser verdade)
É sempre este doer.
Como se a minha sensibilidade
estivesse toda no olhar e ver.
Como se a minha revelação
apenas viesse inteira,
para além da fronteira
do que os meus olhos dão.

Sempre que vejo...
Porque me dói assim?
Porque se desprende em mim
essa mágoa-essência
de surpresa retardada?

A minha consciência
está míope e cansada.


RENOVO

Quem falou na eternidade?
(Não espero mais que cinco minutos).
O tempo vai-me ceifando a idade
e aliviando os lutos.

O meu desgosto
foi posto ao lado.

Renasço sempre poderosa
em verso ou prosa,
no berço do sem-cuidado.

(in Távola Redonda, fascículo 4 - 1 de Março de 1950)


AS COORDENADAS LÍRICAS

Desviou-se o paralelo um quase nada
e tudo escureceu:
era luz disfarçada em madrugada
a luz que me envolveu.

A geométrica forma de meus passos
Procura um mar redondo.
Levo comigo, dentro dos meus braços,
oculto, todo o mundo.

Sozinha já não vou. Apenas fujo
às negras emboscadas.
Em cada esfera desenho o meu refúgio
- as minhas coordenadas.


LEGENDA

Como quem sente
na legenda do presente
o fim duma história breve,
vou vivendo um sonho intacto
num pesadelo crescente
uma luz fecunda e leve
nos olhos pardos dum gato.

(de As Coordenadas Líricas, 1951)


LUZ

A mesurável condição humana,
quanto me exige! Quanto proclama
o seu poder em mim!

Tall submissão nem me redime
nem me liquida.
Não é renúncia sublime
nem carícia retribuída.

Não tenho eira nem beira,
vivo nas dobras da terra
e aceito quanto me dão.

Eis o meu nome: toupeira.
- E o meu olhar se descerra
apenas na escuridão.

(in Graal, n.º 2)


ELOGIO DO SONO

Ó noite das mães-noites - os açoites
da sombria harmonia entre o binómio,
o diálogo e o solitário Orfeu!
Entre um anjo ansioso e um bom demónio,
O binómio sou eu.

Mudos por fim caímos, diagonais
entre dois ais do mais lambido pranto
a regar o sorriso do infecundo.

Solta-se então o vendaval dum canto
que varre todo o pó, re-cria o mundo.

(in Líricas Portuguesas - II volume, selecção e apresentação de Jorge de Sena, 1983)

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