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segunda-feira, 1 de março de 2010

O encontro pessoal



http://www.filosofix.com.br/blogramiro/?p=1722

O encontro com uma pessoa se distancia radicalmente do encontro com um objeto. Aos objetos podemos usar, possuir, transformar e manipular, mas com uma pessoa livre e dotada de inteligência nada disso. É necessário, portanto, diferenciar as relações sujeito-objeto das relações sujeito-sujeito, essas últimas, matéria dos encontros pessoais. Martin Buber, falando dos modos de relação do homem e da necessidade de se superar tanto o individualismo quanto o coletivismo, destacava a relação interpessoal:
O fato fundamental da existência humana não é nem o indivíduo enquanto tal, nem a coletividade enquanto tal. Ambas as coisas, consideradas em si mesmas, não passam de ser abstrações formidáveis. O indivíduo é um fato da existência na medida em que entra em relações vivas com outros indivíduos; a coletividade é um fato da existência na medida em que se edifica com vivas unidades de relação. O fato fundamental da existência humana é o homem com o homem. O que singulariza o mundo humano é, sobretudo, que nele ocorre, entre ser e ser, algo que no se encontra em nenhum outro lugar da natureza. — Martin Buber[5]

O que caracteriza e diferencia a “relação pessoal”, sujeito-sujeito, da “relação coisal”, sujeito-objeto? Primeiramente que o encontro com uma pessoa não é resultado de um ato de conhecimento ou da percepção sensível, o encontro com uma pessoa tem sua razão de ser e seu fundamento em uma experiência mais profunda, uma experiência única que só acontece quanto se produz um encontro pessoal. A experiência do olhar pode ser um bom exemplo para esclarecer mais o que isso representa: quando entramos em um recinto com várias pessoas, o primeiro que podemos perceber é se seus olhares são de afeto, de simpatia, de respeito, de admiração, ou de afastamento e de ódio; em seguida podemos atentar para o modo de cada uma daquelas pessoas, observando como olham para os outros, e decidir se sentimento inicial era para com todos ao redor ou relacionado conosco. Como disse Sartre, o olhar se adianta aos olhos e os mascara[6]. O olhar não é o olho, mas é uma expressão simbólica através da qual se comunica a pessoa mesma, e o mesmo se pode dizer da expressão do rosto e da pessoa inteira. Toda pessoa tem uma profundidade e uma originalidade que não se pode reduzir a nenhum tipo de objeto. Isso aceito, outra questão se coloca: como posso me relacionar com outra pessoa como pessoa? que devo fazer para que meu relacionamento com o outro não se desvirtue e eu termine me comportando como num relacionamento sujeito-objeto? A pergunta é complexa mas a resposta é algo simples: aceitando o outro incondicionalmente, em sua liberdade e autonomia, em sua originalidade, em sua singularidade de ser tal ser pessoal. Não é algo fácil de praticar, há que se evitar a todo tempo qualquer tentativa de utilizar, possuir ou manipular, de qualquer modo que seja, a pessoa com quem pretendemos estabelecer o encontro. Claro que isso implica no desejo de que o outro seja ele mesmo, o que só pode ocorrer de fato se há admiração pela natureza do outro, respeito, compreensão e aceitação. Só nesse caso podemos dizer que ocorreu o verdadeiro encontro, quando o nível de reciprocidade permitir também que um participe na formação da intimidade pessoal do outro, sem nenhum tipo de pressão e por livre iniciativa. Com isso atingimos o núcleo que define o encontro interpessoal. Um tipo de relação que só é possível se estabelecer mediante o amor. Amor aqui entendido como desejo de que o outro seja ele mesmo, por força do respeito, da aceitação e até do silêncio. Uma vez que cada um é livre para ser o que é, não está obrigado a ser o que queríamos que fosse - conclui-se que aprender a calar e a escutar são condições básicas de todo amor verdadeiro[7]. Quando uma pessoa se sente aceita dessa forma, experimenta algo do amor criador que a deixa ser ela mesma, mas que paradoxalmente a transforma em uma pessoa nova. Esse é justamente o paradoxo! Se amar verdadeiramente alguém leva o amante a existir em função do amado, melhor dizendo, se implica em que amado e amante sejam afetados um pelo outro, então fica claro que se pode dizer que há algum um tipo de projeto pessoal compartilhado. Scheler encontrou um termo feliz para expressar essa realidade: “coexecução” (Mitvollzug[8]), que quer dizer que uma pessoa só pode ser-me dada enquanto executo os seus atos, com compreensão e seguimento. Claro que, quanto isso ocorre, o outro já não é mais encarado como obstáculo, nem como instrumento, nem como espetáculo, nem como objeto transformável, mas como pessoa, e minha relação com ele não será mais de contemplação ou de manejo, mas de coexecução. Outra característica fundamental do encontro interpessoal é a “coefusão“. Acontece que as relações do tipo sujeito-objeto, por mais que ocorram, não têm a capacidade de satisfazer a carência humana e preencher o vazio. A aspiração do homem não se sacia na mera possessão de objetos e esses são incapazes de fornecer a felicidade plena; podem sim oferecer algum prazer momentâneo que, depois de terminado, faz o vazio maior pelo sentimento de frustração.
Tire-se a prova disso; deixe-se um rei sozinho, sem nenhuma satisfação dos sentidos; sem nenhum cuidado no espírito, sem companhia, pensar em si inteiramente à vontade; e se verá que um rei sem divertimento é um homem cheio de misérias. Tanto se evita isso cuidadosamente que nunca deixa de haver junto da pessoa do rei um grande número de pessoas que velam por fazer suceder o divertimento aos seus negócios, e que observam todo o tempo do seu lazer para lhe fornecer prazeres e jogos de sorte que não haja vazio; isto é, fica cercado de pessoas que têm um cuidado maravilhoso de zelar para que o rei não fique só e em estado de pensar em si, sabendo bem que ele será miserável, por mais rei que seja, se o pensar. — Blaise Pascal[9]

A felicidade do homem só é possível no encontro do “eu” com o “tu”, isto é, nos encontros interpessoais. Ainda que fosse possível ao homem apoderar-se do infinito como de uma coisa e tê-lo como objeto, nem assim seria feliz, pois a plenitude da felicidade para o homem está no encontro com o infinito interpessoal. Pelo que foi dito, o encontro interpessoal comporta duas dimensões fundamentais: “coexecução” e “coefusão”. A primeira consiste em viver a mesma vida que o outro, a segunda é a experiência afetiva que se traduz na presença mútua, no diálogo, na intimidade e no gozo compartido. O encontro, portanto, não acontece somente no “ser para”, mas também através do “estar com” o outro. No encontro verdadeiro não pode faltar nenhuma dessas dimensões: se falta a “coexecução” (ser-para), o encontro seria degradado em intimismo infrutuoso ou em sentimentalismo estéril; se falta a “coefusão” (estar-com), seria degradado em ativismo ideológico, que terminaria por destroçar completamente a relação entre as pessoas.
Eis tudo o que os homens puderam inventar para tornarem-se felizes. E os que assim se fazem de filósofos, e que acreditam que o mundo seja bem pouco razoável para passar o dia inteiro a correr atrás de uma lebre que não desejassem comprar, não conhecem a nossa natureza. Essa lebre não nos preservaria da visão da morte e das misérias que nos desviam dela, mas a caça nos preserva. E assim, quando acusados de que o que procuram com tanto ardor não poderia satisfazê-los, se respondessem, como deveriam fazê-lo se meditassem bem, que procuram tão somente uma ocupação violenta e impetuosa que os desvie de pensar em si, e que é por isso que se propõem um objeto atraente que os encante e os atraia com ardor, deixariam seus adversários sem resposta. Mas, não respondem isso, porque não se conhecem a si mesmos; não sabem que é somente a caça e não a presa o que procuram. — Blaise Pascal[9]

A “humanidade” então? É permitido falar de essência? Onde reside? Essas questões não serão tratadas agora. Todavia, é acertado que o caminho apontado do encontro é uma jornada de libertação. No sempre misterioso “outro”, encontrado, pois conhecido, e ainda assim não-conhecido, existe um “perigo” de confiar. Mesmo enquanto se des-vela, o “tu” se esconde, como se revela se escondendo: sempre existirá nele o oculto e o inesperado. Mesmo assim é na busca do descobrimento do outro que se é enviado numa jornada. Há perigos, mas não há fatalidade, “o homem só se torna livre num envio, fazendo-se ouvinte e não escravo do destino”. Parafraseando Heidegger, citando Holderlin:

“Ora, onde mora o perigo
é lá que também cresce
o que salva”

A liberdade tem seu parentesco mais próximo e mais íntimo com o dar-se do desencobrimento, ou seja, da verdade. Todo desencobrimento pertence a um abrigar e esconder. Ora, o que liberta é o mistério, um encoberto que sempre e encobre, mesmo quando se desencobre. É no desafio que há crescimento. Se já era verdade para o objeto, tanto mais será numa relação entre sujeitos. Ademais, claro está, por suposto, que a “humanidade” só é acessível na experiência do encontro com um ser humano, que é o único capaz de proporcionar tal experiência.

E prevalece, entretanto, a superficialidade em tantas relações. Falta a coragem, falta a ousadia, falta a liberdade da gratuidade. O sentimento de vazio e a necessidade do barulho - vale tudo para evitar o silêncio - nunca foram tão grandes hoje quanto outrora. O corre-corre, o esquecimento do ócio, o bendito ócio, então sempre vem alguém se queixar que “falta ética” no mundo de hoje, e às vezes não consigo deixar de bocejar. Justiça seja feita, os louros vão somente para os bravos.

Walace Rodrigues (13/05/2007) — adaptado e republicado em 24-jan-2010

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